November 6, 2009

isso de mim que anseia despedida
(para perpetuar o que está sendo)
não tem nome de amor. nem é celeste
ou terreno. isso de mim é marulhoso
e tenro. dançarino também. isso de mim
é novo: como quem come o que nada contém.
a impossível oquidão de um ovo.
como se um tigre
reversivo,
veemente de seu avesso
cantasse mansamente.

não tem nome de amor. nem se parece a mim.
como pode ser isso? ser tenro, marulhoso
dançarino e novo, ter nome de ninguém
e preferir ausência e desconforto
pra guardar no eterno o coração do outro.

(hilda hilst)